Mercedes Batista é a primeira homenageada da memória afro-carioca pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH)
A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), entrega nesta sexta-feira (03/7) a primeira de cinco placas oficiais de patrimônio cultural dedicadas aos murais do projeto NegroMuro. A primeira homenageada é a bailarina e coreógrafa Mercedes Batista. A cerimônia aconteceu em frente ao mural na Rua Paulo de Azevedo, 63, em Santa Teresa.
“O Rio é uma cidade de identidade, música, ciência e costumes profundamente moldados pela população negra. No entanto, por muito tempo, as narrativas oficiais falharam em dar o devido destaque a esses protagonistas. Precisamos sinalizar essa presença para que a população reconheça e valorize esse legado. Estamos dizendo que a arte urbana contemporânea também representa a identidade coletiva de uma época gravada nos muros da cidade e que a memória desses ícones é fundamental para entender quem somos”, afirma Laura.
“É com imensa satisfação que inauguramos, em parceria com Negro Muro, mais uma placa do circuito da igualdade racial. Uma justa e mais que merecida homenagem a Mercedes Batista, colocada onde ela residiu em Santa Teresa”, acrescenta o coordenador de Estudos e Planos do IRPH, Fabrício Rezende.
Segundo o idealizador do projeto, o produtor cultural e pesquisador de história e cultura africana Pedro Rajão, a primeira etapa resultou na instalação de quatro placas em imóveis ligados a importantes nomes da história negra carioca: as residências de Lélia Gonzalez, em Santa Teresa; do maestro Anacleto de Medeiros, em Paquetá; de Lima Barreto, em Todos os Santos; e o GRANES Quilombo, em Acari. “Hoje demos início à segunda etapa do Circuito da Igualdade Racial, uma parceria de iniciativa do projeto NegroMuro com o IRPH e a Secretaria Municipal de Cultura do Rio. O projeto sinaliza imóveis históricos para a memória negra carioca através das clássicas placas azuis do IRPH”, explica Rajão.
Nesta nova fase, o circuito será ampliado com placas em Santa Teresa, na residência de Mercedes Batista; em Botafogo, na residência do Dr. Juliano Moreira; na Ilha do Governador, na casa de Wilson das Neves; na Penha, na casa de Beto Sem Braço; e na Aldeia Campista, na casa de Donga.
O que é o projeto NegroMuro
O projeto NegroMuro é uma iniciativa de arte urbana que mapeia, retrata e preserva a memória de personalidades negras que marcaram a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Por meio do muralismo e do grafite, transforma muros de diferentes bairros da cidade em espaços de homenagem e preservação da memória, em uma ação de combate ao apagamento histórico das contribuições da população negra para a formação da sociedade brasileira.
Como ferramenta de reparação e educação patrimonial a céu aberto, o projeto democratiza o acesso à cultura e transforma o espaço urbano em um museu vivo. Ao instalar placas de patrimônio nesses murais, o IRPH reconhece oficialmente a arte urbana e consolida esses locais como novos marcos culturais da cidade.












