Prefeitura do Rio entrega primeira de cinco placas oficiais de patrimônio para o projeto NegroMuro

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Publicado em 03/07/2026 - 16:55  |  Atualizado
Mercedes Batista é a primeira homenageada da memória afro-carioca pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH)

A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), entrega nesta sexta-feira (03/7) a primeira de cinco placas oficiais de patrimônio cultural dedicadas aos murais do projeto NegroMuro. A primeira homenageada é a bailarina e coreógrafa Mercedes Batista. A cerimônia aconteceu em frente ao mural na Rua Paulo de Azevedo, 63, em Santa Teresa.

Além de Mercedes Batista, o IRPH também homenageará, nas próximas etapas, Juliano Moreira, Wilson das Neves, Beto Sem Braço e Donga. Para a presidente do IRPH, Laura Di Blasi, o reconhecimento oficial reforça o valor histórico da arte urbana e das personalidades negras que ajudaram a construir a identidade carioca.

“O Rio é uma cidade de identidade, música, ciência e costumes profundamente moldados pela população negra. No entanto, por muito tempo, as narrativas oficiais falharam em dar o devido destaque a esses protagonistas. Precisamos sinalizar essa presença para que a população reconheça e valorize esse legado. Estamos dizendo que a arte urbana contemporânea também representa a identidade coletiva de uma época gravada nos muros da cidade e que a memória desses ícones é fundamental para entender quem somos”, afirma Laura.

“É com imensa satisfação que inauguramos, em parceria com Negro Muro, mais uma placa do circuito da igualdade racial. Uma justa e mais que merecida homenagem a Mercedes Batista, colocada onde ela residiu em Santa Teresa”, acrescenta o coordenador de Estudos e Planos do IRPH, Fabrício Rezende.

Segundo o idealizador do projeto, o produtor cultural e pesquisador de história e cultura africana Pedro Rajão, a primeira etapa resultou na instalação de quatro placas em imóveis ligados a importantes nomes da história negra carioca: as residências de Lélia Gonzalez, em Santa Teresa; do maestro Anacleto de Medeiros, em Paquetá; de Lima Barreto, em Todos os Santos; e o GRANES Quilombo, em Acari.  “Hoje demos início à segunda etapa do Circuito da Igualdade Racial, uma parceria de iniciativa do projeto NegroMuro com o IRPH e a Secretaria Municipal de Cultura do Rio. O projeto sinaliza imóveis históricos para a memória negra carioca através das clássicas placas azuis do IRPH”, explica Rajão.

Nesta nova fase, o circuito será ampliado com placas em Santa Teresa, na residência de Mercedes Batista; em Botafogo, na residência do Dr. Juliano Moreira; na Ilha do Governador, na casa de Wilson das Neves; na Penha, na casa de Beto Sem Braço; e na Aldeia Campista, na casa de Donga.

O que é o projeto NegroMuro

O projeto NegroMuro é uma iniciativa de arte urbana que mapeia, retrata e preserva a memória de personalidades negras que marcaram a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Por meio do muralismo e do grafite, transforma muros de diferentes bairros da cidade em espaços de homenagem e preservação da memória, em uma ação de combate ao apagamento histórico das contribuições da população negra para a formação da sociedade brasileira.

Como ferramenta de reparação e educação patrimonial a céu aberto, o projeto democratiza o acesso à cultura e transforma o espaço urbano em um museu vivo. Ao instalar placas de patrimônio nesses murais, o IRPH reconhece oficialmente a arte urbana e consolida esses locais como novos marcos culturais da cidade.

Confira em https://negromuro.com.br/ os painéis já dedicados a Alcione, Pixinguinha, Luiz Gama, Marielle Franco, Elizete Cardoso, Januário, Elza Soares, Revolta dos Malês, Mussum, Carolina Maria de Jesus, João Cândido, Lima Barreto, Clementina de Jesus, Sandra de Sá, Fela Kuti e outras personalidades.

O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade foi criado pelo Decreto nº 35879, de 05 de Julho de 2012, e ratificado pela Lei nº 5.547, de 27 de dezembro de 2012, quando a Cidade do Rio de Janeiro foi declarada Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura -UNESCO. O IRPH foi fundado a partir do antigo Departamento Geral de Patrimônio Cultural, por conta do crescimento do papel estratégico da municipalidade na proteção, conservação, valorização e difusão do patrimônio cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Em sua gênese, o IRPH é o órgão que protege o patrimônio cultural em suas diferentes tradições e realizações intelectuais produzidas pela humanidade.

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