Rio celebra com luz os 14 anos do título de Patrimônio Mundial concedido pela Unesco

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Publicado em 02/07/2026 - 16:30  |  Atualizado
Prefeitura comemora aniversário da conquista da chancela da Paisagem Cultural do Rio, obtida em 2012, com iluminação especial no Cristo Redentor, Arcos da Lapa e Copacabana Palace - Foto: RioLuz / Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio celebra neste mês os 14 anos da inscrição do Sítio Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar na lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Para marcar a data, entre os dias 1º e 5 de julho, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a Rioluz e a Secretaria Municipal de Conservação, em parceria com o Copacabana Palace, A Belmond Hotel, e o Santuário Cristo Redentor, promovem uma iluminação especial em alguns dos principais cartões-postais da cidade. O Monumento ao Cristo Redentor, os Arcos da Lapa e o Copacabana Palace ganharão luzes em verde e azul, em referência ao mar e à montanha.

A conquista consagrou o Rio de Janeiro como a primeira área urbana de grandes dimensões a receber o reconhecimento internacional na categoria de Paisagem Cultural Urbana. A chancela reconhece a relação única, harmônica e criativa entre a natureza exuberante e a ocupação urbana construída ao longo dos séculos.

— Celebrar os 14 anos deste título é reafirmar o compromisso contínuo do município com a gestão de nossos bens culturais e ambientais. A iluminação especial nos principais cartões-postais da cidade é um tributo visual a essa herança coletiva e um lembrete de que preservar esse patrimônio é motivo de orgulho para todos nós — destaca Laura Di Blasi, presidente do IRPH.

A área reconhecida pela Unesco abrange marcos fundamentais da identidade visual e cultural do Rio, incluindo o Parque Nacional da Tijuca, o Jardim Botânico, o Corcovado com o Cristo Redentor, o Parque do Flamengo, a orla de Copacabana, a entrada da Baía de Guanabara, o Forte de Copacabana e o morro do Pão de Açúcar. A ação conecta a Zona Sul e o Centro em um mesmo circuito de homenagem visual, reunindo locais que testemunham a evolução urbana e cultural da cidade.

Com a iniciativa, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) e o IRPH reforçam as ações de conservação desenvolvidas nos últimos 14 anos e as diretrizes de planejamento que garantem o desenvolvimento sustentável da cidade sem descaracterizar a paisagem que rendeu ao Rio o reconhecimento internacional. Exemplo recente é a revitalização dos Arcos da Lapa, um investimento de R$ 1,7 milhão que resgatou a imponência do monumento do século XVIII, tombado pelo IPHAN, e incluiu limpeza técnica, pintura, recuperação estrutural e a revitalização da Praça Cardeal Câmara.

— Os Arcos da Lapa, além de serem a maior obra de engenharia do Brasil colonial, são o grande monumento sobrevivente das transformações urbanas do Centro do Rio. Mantemos um ciclo técnico e contínuo de conservação, com etapas em 2011, 2014, 2016, 2022 e agora em 2026, respeitando o tombamento do IPHAN e usando a mesma técnica da construção original: a caiação com cal virgem, que permite que a pedra respire, diferente de uma tinta comum , eliminando a umidade e preservando as características originais. Uma cidade sem memória é uma cidade morta — afirma o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz.

 

Copacabana Palace será iluminado no dia 05 de julho. Foto: Lauro Oliveira – Belmond.

Como foi o processo que trouxe o título inédito no mundo

O Comitê de Candidatura foi coordenado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com a colaboração da Prefeitura do Rio, do Governo do Estado e do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O dossiê de candidatura foi encaminhado ao Comitê do Patrimônio Mundial em setembro de 2009. Após o período de análise, em 1º de julho de 2012, durante a 36ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, em São Petersburgo, na Rússia, o Rio

recebeu o título de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural. A inscrição foi oficializada em 5 de julho de 2012.

O conceito de Paisagem Cultural foi incorporado pela Unesco em 1992 como uma nova forma de reconhecer bens culturais. O Rio de Janeiro, porém, quebrou um paradigma ao se tornar a primeira área urbana dinâmica e de grandes dimensões do mundo contemplada nessa categoria. Até então, os locais reconhecidos eram áreas rurais, jardins históricos, pequenos núcleos urbanos ou sistemas agrícolas tradicionais.

A cidade também reúne outros sítios reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Mundial. O Sítio Arqueológico Cais do Valongo, na Região Portuária, recebeu o título em 2017 por representar o principal porto de entrada de africanos escravizados nas Américas e preservar uma memória sensível da história da humanidade. Já o Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, foi inscrito em 2021 como Paisagem Cultural por materializar o conceito inovador de jardim tropical moderno e inspirar a vocação econômica da região.

Para acompanhar a comemoração:

* Monumento ao Cristo Redentor – 05/07, das 19h às 20h

* Copacabana Palace, A Belmond Hotel – 05/07

* Arcos da Lapa – de 01/07 a 05/07

O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade foi criado pelo Decreto nº 35879, de 05 de Julho de 2012, e ratificado pela Lei nº 5.547, de 27 de dezembro de 2012, quando a Cidade do Rio de Janeiro foi declarada Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura -UNESCO. O IRPH foi fundado a partir do antigo Departamento Geral de Patrimônio Cultural, por conta do crescimento do papel estratégico da municipalidade na proteção, conservação, valorização e difusão do patrimônio cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Em sua gênese, o IRPH é o órgão que protege o patrimônio cultural em suas diferentes tradições e realizações intelectuais produzidas pela humanidade.

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